sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Mahler: "Des Knaben Wunderhorn" Pt 1-11 Fassbaender, Fischer-Dieskau

Canção popular (Volkslied): espelho musical do mundo

"De si mesma, a melodia dá à luz a poesia e vol­ta a fazê-lo sempre de novo; é isso e nada mais que a forma estrófica da canção popular nos quer dizer: fenômeno ·que sempre considerei com assombro, até que finalmente achei esta explicação." (NIETZSCHE, 1992:48).

A forma estrófica consiste em uma imitação da música. Isto submete o conceito à inevitabilidade dionisíaca da música. Abaixo a letra da canção popular Revelge, da coletânea Des Knaben Wunderhorn, citada por Nietzsche no capítulo 6. Todos os textos da coletânea estão disponíveis no site:  http://hampsongfoundation.org

Exercício: examinar o potencial dionisíaco de imagens da melodia e sua relação com a poesia.


7.RevelgeRe
Revelge
Des Morgens zwischen drei’n und vieren,
da müssen wir Soldaten marschieren
das Gäßlein auf und ab,
trallali, trallaley, trallalera,
mein Schätzel sieht herab!
Ach Bruder, jetzt bin ich geschossen,
die Kugel hat mich schwere, schwer getroffen,
trag’ mich in mein Quartier,
trallali, trallaley, trallalera,
es ist nicht weit von hier!
Ach Bruder, ich kann dich nicht tragen,
die Feinde haben uns geschlagen!
Helf’ dir der liebe Gott!
Trallali, trallaley,
trallali, trallaley, trallalera!
Ich muß, ich muß marschieren bis in’ Tod!
Ach Brüder, ach Brüder,
ihr geht ja mir vorüber,
als wär’s mit mir vorbei!
Trallali, trallaley,
trallali, trallaley, trallalera!
Ihr tretet mir zu nah!
ch muß wohl meine Trommel rühren,
ich muß meine Trommel wohl rühren,
trallali, trallaley, trallali, trallaley,
sonst werd’ ich mich verlieren,
trallali, trallaley, trallala.
Die Brüder, dick gesät,
sie liegen wie gemäht.
Er schlägt die Trommel auf und nieder,
er wecket seine stillen Brüder,
trallali, trallaley, trallali, trallaley,
sie schlagen und sie schlagen
ihren Feind, Feind, Feind,
trallali, trallaley, trallalerallala,
ein Schrecken schlägt den Feind!
Er schlägt die Trommel auf und nieder,
da sind sie vor dem Nachtquartier schon wieder,
trallali, trallaley, trallali, trallaley.
In’s Gäßlein hell hinaus, hell hinaus!
Sie zieh’n vor Schätzleins Haus.
Trallali, trallaley,
trallali, trallaley, trallalera,
sie ziehen vor Schätzeleins Haus, trallali.
Des Morgens stehen da die Gebeine
in Reih’ und Glied, sie steh’n wie Leichensteine
in Reih’, in Reih’ und Glied.
Die Trommel steht voran,
daß sie ihn sehen kann.
Trallali, trallaley,
trallali, trallaley, trallalera,
daß sie ihn sehen kann!
7.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Reunião do dia 27/11/2013 cancelada.

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Não riam. 
Tive um acidente doméstico e quebrei o pé. 
Uma vez imobilizada e com reações aos medicamentos encontro-me impossibilitada de comparecer à reunião de hoje. 
Espero estar melhor na próxima semana!

Observação: A aula de alemão com o Prof. Catunda no sábado 30.11.2013, entretanto, está confirmada!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O argumento do medium entre Schopenhauer e Nietzsche: o sujeito como adversário da arte.


Caravaggio, Baco Doente (Auto-retrato)
 c. 1593-1594, óleo sobre tela, Galleria Borghese, Roma.

"(...) o sujeito, o indivíduo que quer e que promove os seus escopos egoísticos, só pode ser pensado como adversário e não como origem da arte. Mas na medida em que o sujeito é um artista, ele já está liberto de sua vontade individual e tornou-se, por assim dizer, um medium através do qual o úni­co Sujeito verdadeiramente existente celebra a sua redenção na aparência". (NIETZSCHE, 1992:47)

O humano já se dá em Nietzsche enquanto imagem. Esta condição pictórica implica em uma conceituação estética da existência. Fala-se, então, em uma justificação estética da existência e do mundo. Este argumento garante a unidade entre realidade e verdade da arte, uma vez que o artista, fundido ao Uno-primordial, encontra-se onto-cosmologicamente no espaço da origem da arte.



"Eu lírico": um percalço estético?

"Pensemos agora como ele, entre essas repro­duções, avista também a si mesmo como não-gênio, isto é, seu "sujeito" [Subjekt], todo o tumulto de suas paixões e aspirações subjetivas dirigidas para uma determinada coisa que lhe parece real; se agora se nos afigurasse como se o gê­nio lírico e o não-gênio a ele vinculados fossem um só e co­mo se o primeiro proferisse por si só aquela palavrinha "eu", então essa aparência não poderia mais nos transviar, como sem dúvida transviou àqueles que tacharam de lírico o poeta subjetivo. Na verdade, Arquíloco, o homem apaixonada­mente ardoroso, no amor e no ódio, é apenas uma visão do gênio, que já não é Arquíloco, porém o gênio universal, e exprime simbolicamente seu sofrimento primigênio naque­le símile do homem Arquíloco: ao passo que aquele homem Arquíloco que deseja e quer subjetivamente não pode jamais e em parte alguma ser poeta". (NIETZSCHE, 1992:45)

A "eudade" (Icheit) é um mecanismo de objetivação do próprio poeta lírico, dada a ausência de "matéria-prima" imagética para a (re)produção criativa de imagens apolíneas. Não há, entretanto, uma identidade lógica entre o homem empírico-real e esta "eudade". A Icheit é meio para a investigação que o poeta opera em busca do Inaudito em face da inevitabilidade do Uno-primordial.

Imagem similiforme do sonho: um segundo momento estético.

"O artista já renunciou à sua subjetividade no processo dionisíaco: a imagem, que lhe mostra a sua unidade com o coração do mundo, é uma cena de sonho, que torna sensível aquela contradição e aquela dor primordiais, juntamente com o prazer primigênio da apa­rência. O "eu" do lírico soa portanto a partir do abismo do ser: sua "subjetividade", no sentido dos estetas modernos, é uma ilusão". (NIETZSCHE, 1992:44)

No último encontro discutíamos se o impulso dionisíaco seria uma redenção às determinações modernas. Vejamos nessa passagem a antecedência do processo dionisíaco: primeiramente o poeta lírico já se dá enquanto artista dionisíaco, em unidade com o Uno-primordial de maneira musical. O que é produzido, em seguida, é o mundo narrado em repetição, estando aí a construção da imagem tão própria do sonho apolíneo. 
Dito isto, é ainda possível falarmos em uma redenção do dionisíaco em face do apolíneo?

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Apolo x Dionísio: afirmação e resistência

"O indivíduo, com todos os seus limites e medi­das, afundava aqui no auto-esquecimento do estado dioni­Síaco e esquecia os preceitos apolíneos. O desmedido reve­lava-se como a verdade, a contradição, o deleite nascido das dores, falava por si desde o coração da natureza. E foi assim que, em toda parte onde o dionisíaco penetrou, o apolíneo foi suspenso e aniquilado. Mas é igualmente certo que lá onde o primeiro assalto foi suportado, o prestígio e a majes­tade do deus délfico se externaram de maneira mais rígida e ameaçadora do que nunca". (NIETZSCHE, 1992:41-42).